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quinta-feira, 23 de maio de 2013

O homem deve reencontrar o Paraíso… – Rubem Alves



Era uma família grande, todos amigos. Viviam como todos nós: moscas presas na enorme teia de aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Resolveram mudar de vida: um sonho louco: navegar! Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes sem fim: liberdade. Venderam o que tinham, compraram um barco capaz de atravessar mares e sobreviver a tempestades.

Mas para navegar não basta sonhar. É preciso saber. São muitos os saberes necessários para se navegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo que teria de fazer no barco: manutenção do casco, instrumentos de navegação, astronomia, meteorologia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o rádio, as ligações eléctricas, os mares, os mapas…

Disse certo poeta: Navegar é preciso. A ciência da navegação é um saber preciso, exige aparelhos, números e medições. Os barcos fazem-se com precisão, a astronomia aprende-se com o rigor da geometria, as velas fazem-se com saberes exactos sobre tecidos, cordas e ventos, os instrumentos de navegação não informam mais ou menos. Assim, eles tornaram-se cientistas, especialistas, cada um na sua – juntos para navegar.

Chegou então o momento da grande decisão – para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do Chile, outro os canais dos fiordes da Noruega, um outro queria conhecer os exóticos mares e praias das ilhas do Pacífico, e houve mesmo quem quisesse navegar nas rotas de Colombo. E foi então que compreenderam que, quando o assunto era a escolha do destino, as ciências que conheciam de nada serviam.

De nada valiam os números, as tabelas, os gráficos, as estatísticas. Os computadores, coitados, chamados a dar o seu palpite, ficaram em silêncio. Os computadores não têm preferências – falta-lhes essa subtil capacidade de gostar, que é a essência da vida humana. Inquiridos sobre o porto de sua escolha, disseram que não entendiam a pergunta, que não lhes importava para onde se estava a ir.

Se os barcos se fazem com ciência, a navegação faz-se com os sonhos. Infelizmente a ciência, utilíssima, especialista em saber como as coisas funcionam, tudo ignora sobre o coração humano. É preciso sonhar para se decidir sobre o destino da navegação. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao contrário da ciência, é coisa imprecisa. Disse certo poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreciso desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de navegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar.

Naus e navegação têm sido uma das mais poderosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound inicia os seus Cânticos dizendo: E pois com a nau no mar/assestamos a quilha contra as vagas… Cecília Meireles: Foi, desde sempre, o mar! A solidez da terra, monótona/parece-nos fraca ilusão! Queremos a ilusão do grande mar/ multiplicada em suas malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a terra de vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais distante. Que as vossas velas não se cansem de procurar esta terra! O nosso leme nos conduz para a terra dos nossos filhos…Viver é navegar no mar alto!

Não só os poetas. C. Wright Mills, um sociólogo sábio, comparou a nossa civilização a uma galera que navega pelos mares. Nos porões estão os remadores. Remam com precisão cada vez maior. A cada novo dia recebem remos novos, mais perfeitos. O ritmo das remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do remar. A galera navega cada vez mais rápido. Mas, inquiridos sobre o porto do destino, respondem os remadores: O porto não nos importa. O que importa é a velocidade com que navegamos

C. Wright Mills usou esta metáfora para descrever a nossa civilização por meio duma imagem plástica: multiplicam-se os meios técnicos e científicos ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças sejam cada vez mais rápidas; mas não temos ideia alguma de para onde navegamos. Para onde? Somente um navegador louco ou perdido navegaria sem ter ideia do para onde. Em relação à vida da sociedade, ela contém a busca de uma utopia. Utopia, na linguagem comum, é usada como sonho impossível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia é um ponto inatingível que indica uma direcção.

Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se as coisas são inatingíveis… ora!/Não é motivo para não querê-las…Que tristes os caminhos, se não fora/A mágica presença das estrelas! Karl Mannheim, outro sociólogo sábio que poucos lêem, já na década de 1920 diagnosticava a doença da nossa civilização: Não temos consciência de direcções, não escolhemos direcções. Faltam-nos estrelas que nos indiquem o destino.

Hoje, dizia ele, as únicas perguntas que são feitas, determinadas pelo pragmatismo da tecnologia (o importante é produzir o objecto) e pelo objectivismo da ciência (o importante é saber como funciona), são: Como posso fazer tal coisa? Como posso resolver este problema concreto particular? E conclui: E em todas essas perguntas sentimos o eco optimista: não preciso de me preocupar com o todo, ele tomará conta de si mesmo.

Nas nossas escolas é isso que se ensina: a precisa ciência da navegação, sem que os estudantes sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau navega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa doença assume a forma de peste epidémica: cada especialista dedica-se, com paixão e competência, a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, a sua polia, a sua vela, o seu mastro.

Dizem que o seu dever é produzir conhecimento. Se forem bem sucedidas, as suas pesquisas serão publicadas em revistas internacionais. Quando se lhes pergunta: Para onde está o seu barco a navegar?, eles respondem: Isso não é científico. Os sonhos não são objecto de conhecimento científico...

E assim ficam os homens comuns abandonados por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas, lhes poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar a missão das escolas, começando com as crianças e continuando com os cientistas, como outra que não a da realização do dito do poeta: Navegar é preciso. Viver não é preciso.

É necessário ensinar os precisos saberes da navegação enquanto ciência. Mas é necessário apontar com imprecisos sinais para os destinos da navegação: a terra dos filhos dos meus filhos, no mar distante… Na verdade, a ordem verdadeira é a inversa. Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois aprendem a ciência da navegação. É inútil ensinar a ciência da navegação a quem mora nas montanhas…

O meu sonho para a educação foi dito por Bachelard: O universo tem um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que me atormenta: o deserto. Houve um momento em que se viu, por entre as estrelas, um brilho chamadoprogresso. A galera navega em direcção ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e ninguém questiona a direcção. E é assim que as florestas são destruídas, os rios se transformam em esgotos de fezes e veneno, o ar se enche de gases, os campos se cobrem de lixo – e tudo ficou feio e triste.

Sugiro aos educadores que pensem menos nas tecnologias do ensino – psicologias e quinquilharias – e tratem de sonhar, com os seus alunos, sonhos de um Paraíso.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Descanso para caneca em crochet e tapete para o banheiro

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Minha vitrine no ELO

Acessem aqui e vejam a minha nova vitrine.

Papel de parede para o dia dos Namorados

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O que é transtorno do pânico?


O Transtorno do Pânico é considerado um transtorno de ansiedade que é caracterizado por crises 
de intensa ansiedade e medo. 
Normalmente tais crises são repentinas e inesperadas e uma vez que a pessoa vivencia uma crise, 
ela fica com medo de ter novas crises, desenvolvendo nela o “medo de ter medo” novamente.

As pessoas que já passaram por uma crise de pânico sabem o quanto ela é desconfortável. 
A pessoa que apresenta a crise do pânico tem a sensação, no momento da crise, de estar morrendo 
ou tendo um ataque cardíaco por causa dos seguintes sintomas: taquicardia, sensação de falta de ar, 
sensação de aperto no peito, formigamento nas extremidades, calafrios ou ondas de calor, 
enjôo, sensação de estar perdendo o controle ou de estar ficando louco, sensação de desmaio, 
sudorese difusa (no corpo todo) ou localizada (mãos e pés), despersonalização 
(a pessoa tem a sensação de não ser ela mesma, sensação de sair do seu próprio corpo; 
esta sensação pode acontecer com pessoas ansiosas no momento ou fora do momento de crise do pânico) 
ou desrealização (sensação de o ambiente em volta ser ou estar diferente). 

Apesar da sensação de morte iminente, ataque cardíaco ou enlouquecimento, 
o pânico não mata ninguém! 
Mas é importante que, apresentando estes sintomas, a pessoa consulte um médico e se submeta a exames cardíacos e neurológicos para que qualquer possibilidade de presença de problemas físicos seja descartada.

Uma característica fundamental que diferencia um ataque de pânico de um ataque cardíaco 
ou enlouquecimento é o medo. 
Quando temos um ataque cardíaco ou surtos psicóticos, não há a sensação de medo envolvida, 
e no pânico sempre haverá o medo presente.

O ataque de pânico é autocontrolável, ou seja, por mais que você não faça nada para que ele termine, 
o próprio corpo fará com que ele cesse. 
Isto acontece porque quando o coração dispara e sentimos a taquicardia e a conseqüente falta de ar 
(sistema nervoso simpático funcionando), isto se torna um alerta para que o sistema nervoso parassimpático 
entre em ação, fazendo com que os movimentos do coração diminuam e sejam novamente equilibrados 
e isto faz com que muitos outros sintomas – falta de ar, formigamento, dor no peito, etc. – desapareçam. 

Por isso, não fique preocupado se não conseguir controlar o pânico porque o seu próprio corpo entrará em ação!
Aqui vão algumas dicas para quando você sentir que vai ter uma crise de pânico ou se você estiver tendo uma:

1) Primeiro de tudo, respire fundo, inspirando e expirando lentamente. 
É comprovado cientificamente que o exercício da respiração corta as crises de pânico em quase todos os casos! 
Isto acontece porque um dos sintomas na crise do pânico é a taquicardia, ou seja, a aceleração do coração, 
que nos dá a sensação de que vamos morrer, ter um ataque do coração ou nos descontrolarmos. 

Mas isto não acontece na crise do pânico; é só uma sensação! 
E quando respiramos lentamente, a respiração regula novamente os batimentos cardíacos, 
fazendo com que a os batimentos cardíacos voltem ao normal e, desta forma, diminua a sensação 
de falta de ar, de sufocamento e outras coisas ruins que sentimos quando temos o pânico.

2) Procure concentrar-se em alguma coisa fora de você quando sentir que terá o pânico ou se já estiver tendo. 
Olhe para alguma coisa que esteja acontecendo ao seu redor e preste atenção naquilo. 
Quando temos o pânico, a nossa tendência é de nos concentrarmos muito em nós mesmos, 
no que estamos pensando, no que estamos sentindo e quando desviamos a nossa atenção 
para algo fora de nós mesmos a sensação do pânico vai diminuindo. 
Faça isso junto com a respiração.

3) Aceite a sua ansiedade! 
Quando temos o pânico podemos não aceitar que estamos ansiosos e quanto mais pensarmos 
“eu não posso estar ansioso”, acabamos nos sentindo mais ansiosos ainda por percebermos 
que a ansiedade não vai embora!

4) Quando se sentir muito ansioso e com pânico, chame alguém e peça para que fique 
com você por alguns minutos. 
A companhia de alguém nestas horas pode ser importante para nos sentirmos melhor.
As crises de pânico duram poucos minutos e não matam, por mais que a sensação seja a de que você vai morrer!

Pessoas com Transtorno do Pânico podem freqüentemente desenvolver o que chamamos de Agorafobia. 
Agorafobia também é um transtorno de ansiedade que faz com que a pessoa evite permanecer ou até mesmo 
ir a lugares ou situações nos quais qualquer escape – no caso de ter pânico ou algum mal estar – seria 
difícil ou embaraçoso. 

A pessoa que já viveu ataques de pânico pode desenvolver também o medo de ir a lugares onde ela 
já teve o ataque de pânico anteriormente. 
Por isto, o Transtorno do Pânico pode prejudicar a vida profissional, social e estudantil da pessoa envolvida. 

Caso ela tenha um ataque de pânico no ambiente de trabalho, o medo de voltar àquele lugar pode ser grande
o suficiente para que a pessoa não queira mais ir até lá. 

Isto pode fazer com que os pacientes com o pânico fiquem dependentes de outras pessoas para saírem
de casa ou fazerem quaisquer atividades nas quais o medo de ter o pânico esteja presente.

Portanto, se você está com o Transtorno do Pânico procure ajuda especializada e adequada de um 
psiquiatra e um psicólogo. 

É possível que nos meses iniciais seja necessário o uso de algum medicamento, dependendo do grau 
da ansiedade, para que a ansiedade muito alta – que faz com que os ataques de pânico aconteçam – seja 
controlada e a pessoa volte às suas atividades normais. 

Mas é importante também que, além do medicamento (que normalmente é temporário), 
a pessoa procure entender e trabalhar com possíveis conflitos que estejam contribuindo para esta ansiedade. 
A ajuda do psicólogo, neste caso, é fundamental.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Chegou a minha sacola a leitora premiada!!!




Fiquei muito feliz que a sacola sorteada aqui no Agulha chegou na casa da minha leitora Jana, do blog Jana Artes manuais, parabéns novamente e espero que crie muitas coisas bonitas com estes produtos da Círculo,beijokas.




Cachecol Flores - Laranja , roxo e pink e vermelho e roxo

Cachecol Flores - Laranja







Cachecol feito em tricot com fio importado que forma babados, belissímo, leve, e versátil.

Wallpapers de animais

Wallpapers de animais












A dor do abandono / pense nisto!!!


Era uma manhã de Sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo 
sem vida foi baixado à sepultura
 
De quem se trata?
Quase ninguém sabe.
Muita gente acompanhando o féretro?
Não.
Apenas umas poucas pessoas.
Ninguém chora.
 Ninguém sentirá a falta dela.
 Ninguém para dizer adeus ou até breve. 
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado 
boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, 
algumas anotações.
 
Eram anotações sobre a dor...
Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos...
 
Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, 
grafado em algumas frases: 
Onde andarão meus filhos?
Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, 
onde estarão?
 
Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer olá, mamãe?
Ah!
Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono...
A mais deprimente solidão...
Se ao menos eu pudesse andar...
 
Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar Sol no jardim... 
Jardim que já conheço como a palma da minha mão. 
Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho...

 
Os dias passam... e com eles a esperança se vai...
No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei...
Mas, agora...
Como esquecer que fui esquecida?
 
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia?
Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfazê-lo.
 
Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima...
Queria saber dos meus filhos...
Dos meus netos...
Será que ao menos se lembram de mim?
 
A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos...
Que a arrastam sem misericórdia...
Para longe de mim. 
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos 
que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria...
 
Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo...
Que eu vivo...
Que eu sinto... 
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso...
Que a vida continua após a morte, de uma outra forma...
Mas com certeza a minha matéria, a minha mente, o meu eu dessa vida que vivo agora, 
com o nome que tenho...
 
Nunca mais existirá!
 E quando a morte chegar, só restará a saudade que com o passar do tempo se ameniza...
(Se é que alguém vai sentir saudade de mim, já que não sentem enquanto ainda estou viva neste asilo). 
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse.
 
E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam...
 
Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado. 

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