Sem lenha o fogo apaga

Seis homens ficaram presos numa caverna gelada
por causa de uma avalanche de neve.

O socorro só viria ao amanhecer.
Cada um deles trazia um pouco de lenha, mas,
quando a equipe de resgate chegou a fogueira estava
apagada e eles, mortos, congelados, cada qual abraçado
ao seu feixe de lenha.

Os soldados não entenderam o que se passou naquela caverna,
mas, se eles pudessem voltar no tempo e ler o pensamento
daquelas pessoas, talvez ficassem mais uma vez surpresos
com a raça humana:

O preconceituoso pensava:
Jamais darei minha lenha para aquecer essa gente esquisita!

O rico avarento pensava:
Vou ser o último a queimar minha lenha.
Quem sabe, até posso vendê-la para esses otários.
Vai valer uma boa grana.
É a lei da oferta e procura.

O forte pensava:
Não vou dar a minha lenha para aquecer esses fracotes.
Eles que façam ginástica até o amanhecer, se quiserem
se manter aquecidos.

O fraco pensava:
É bem provável que eu precise desta lenha para me defender.

O sabe-tudo pensava:
Esta nevasca vai durar vários dias.
Vou guardar minha lenha por enquanto.

O alienado: … (não pensava nada, especificamente).

Por fim, um dos soldados desabafou:
– Acho que não foi o frio de fora que os matou;
acho que foi o frio de dentro.
O frio do coração.
O frio da alma.

“Não deixe que o frio deste mundo mate você.

Abra o seu coração e seja o primeiro a ceder
a seu feixe de lenha, para manter a fogueira acesa”.

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