
segunda-feira, 7 de março de 2011
Um gesto de bondade
Costuma-se ouvir pessoas reclamarem da ingratidão com que são recompensados seus gestos de bondade. É possível até se escutar promessas veementes de que jamais tornarão a ajudar a quem quer que seja, pois não vale a pena.
Para um repórter de um jornal inglês uma ação bondosa lhe valeu a vida.
Enviado para a África do Sul como correspondente, ele chegou até Moçambique, uma terra devastada, por décadas, pela guerra e pela fome.
Ele crescera na África e costumava andar por todos os lugares, junto com sua mãe. Médica devotada, ela priorizava a questão da vacinação e percorria vales e montanhas, para todos imunizar.
Ele sabia que os rebeldes moçambicanos tinham bases em Malauí, mas também sabia que os jornalistas estrangeiros não eram bem-vindos.
Ávido pelas notícias, contudo, aventurou-se, até ser preso por seis homens com cartucheiras, granadas e lança-bombas.
Resolveram levá-lo como prisioneiro até sua base de operações.
Pelo caminho, passando pelas aldeias, ele era apresentado como um troféu e, embora não entendesse o que falavam, uma mistura de dialetos, podia perceber que a sua captura era dramatizada.
Era um espião. Estava armado. Resistira. Por vezes, davam-lhe chutes e tapas.
Após dois dias de caminhada rude e maus tratos, finalmente o grupo chegou à base e ele foi apresentado ao comandante do campo.
Vestido a caráter, ouvia o relato com atenção, alimentando-se bem, enquanto ao pobre aprisionado não foi permitido nem sentar-se.
Em dado momento, o jornalista pôde ouvir que eles passaram a usar o dialeto Chindau. Este ele conhecia de seu tempo de criança, quando de suas andanças com sua mãe pelas aldeias.
Prestou atenção e, então, hesitante, saudou o comandante com o que pôde se lembrar do dialeto Chindau.
O comandante ficou admirado. Como ele conhecia aquela língua?
Cresci aqui. - Falou o prisioneiro.
Dizendo o nome de sua família, viu repentinamente o semblante duro daquele chefe se transformar.
Sua mãe era médica? Perguntou ele. Então foi ela que me vacinou. E, erguendo a manga da camisa, mostrou a cicatriz da vacina.
E você, continuou, você é o garoto que nos dava um torrão de açúcar, com o remédio. Ficava insistindo para que colocássemos a língua para fora e punha açúcar nas nossas bocas.
Graças a isso, eu cresci forte!
Tudo mudou em questão de minutos. De refém passou a hóspede de honra. Pôde sentar-se, alimentar-se, refrescar-se com um pano úmido.
No dia seguinte, foi levado de volta com todo cuidado e atenção. Os captores dos dias anteriores, transformados em zelosos guarda-costas agora, até tiraram foto com ele.
O jornalista guardou a foto, certo de que uma boa ação permanece sempre viva, apesar das distâncias e do tempo.
Para um repórter de um jornal inglês uma ação bondosa lhe valeu a vida.
Enviado para a África do Sul como correspondente, ele chegou até Moçambique, uma terra devastada, por décadas, pela guerra e pela fome.
Ele crescera na África e costumava andar por todos os lugares, junto com sua mãe. Médica devotada, ela priorizava a questão da vacinação e percorria vales e montanhas, para todos imunizar.
Ele sabia que os rebeldes moçambicanos tinham bases em Malauí, mas também sabia que os jornalistas estrangeiros não eram bem-vindos.
Ávido pelas notícias, contudo, aventurou-se, até ser preso por seis homens com cartucheiras, granadas e lança-bombas.
Resolveram levá-lo como prisioneiro até sua base de operações.
Pelo caminho, passando pelas aldeias, ele era apresentado como um troféu e, embora não entendesse o que falavam, uma mistura de dialetos, podia perceber que a sua captura era dramatizada.
Era um espião. Estava armado. Resistira. Por vezes, davam-lhe chutes e tapas.
Após dois dias de caminhada rude e maus tratos, finalmente o grupo chegou à base e ele foi apresentado ao comandante do campo.
Vestido a caráter, ouvia o relato com atenção, alimentando-se bem, enquanto ao pobre aprisionado não foi permitido nem sentar-se.
Em dado momento, o jornalista pôde ouvir que eles passaram a usar o dialeto Chindau. Este ele conhecia de seu tempo de criança, quando de suas andanças com sua mãe pelas aldeias.
Prestou atenção e, então, hesitante, saudou o comandante com o que pôde se lembrar do dialeto Chindau.
O comandante ficou admirado. Como ele conhecia aquela língua?
Cresci aqui. - Falou o prisioneiro.
Dizendo o nome de sua família, viu repentinamente o semblante duro daquele chefe se transformar.
Sua mãe era médica? Perguntou ele. Então foi ela que me vacinou. E, erguendo a manga da camisa, mostrou a cicatriz da vacina.
E você, continuou, você é o garoto que nos dava um torrão de açúcar, com o remédio. Ficava insistindo para que colocássemos a língua para fora e punha açúcar nas nossas bocas.
Graças a isso, eu cresci forte!
Tudo mudou em questão de minutos. De refém passou a hóspede de honra. Pôde sentar-se, alimentar-se, refrescar-se com um pano úmido.
No dia seguinte, foi levado de volta com todo cuidado e atenção. Os captores dos dias anteriores, transformados em zelosos guarda-costas agora, até tiraram foto com ele.
O jornalista guardou a foto, certo de que uma boa ação permanece sempre viva, apesar das distâncias e do tempo.

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domingo, 6 de março de 2011
Gentileza e polidez
Na língua portuguesa existem palavras com vários significados. Nem sempre sabemos o que realmente significam no contexto em que estão inseridas.
A palavra gentil, por exemplo, segundo os dicionários, quer dizer: de boa linhagem; nobre, fidalgo; elegante, garboso; que agrada pela delicadeza de sentimentos ou fineza de maneiras; amável.
E a palavra polidez quer dizer: caráter ou qualidade do que é polido; atitude gentil; cortesia, civilidade.
Geralmente as pessoas gostam de ser consideradas gentis e polidas, pois esses termos pressupõem atitudes nobres.
No entanto, a pessoa pode ser gentil e polida e não ser ética e nem moralmente correta.
Uma pessoa que se comporta com gentileza e polidez não está, necessariamente, agindo com bondade, equidade, complacência e gratidão.
O excesso de polidez e de gentileza pode até ser muito inconveniente.
É por isso que o ditado popular: É polido demais para ser honesto tem sua razão de ser.
Aquele que é gentil e polido, em excesso, passa por pouco verdadeiro. Isso porque, às vezes, a honestidade, a seriedade e a verdade exigem que se desagrade alguém.
Levada muito a sério, a polidez é o contrário da autenticidade.
Os muito polidos são como crianças grandes demasiadamente bem comportadas, prisioneiras de regras, iludidas pelos costumes e pelas conveniências.
Assim, entende-se que uma pessoa polida não deve ser, só por esse fato, considerada virtuosa.
A polidez pode ser uma atitude externa, como uma fina camada de verniz, adquirida pelas regras de etiqueta, e não ter ressonância no interior da alma.
Uma pessoa pode ser gentil e enérgica ao mesmo tempo, sem que isso a torne menos gentil.
Pessoas que nunca contrariam ninguém não podem estar sendo honestas nem verdadeiras.
Uma pessoa gentil sabe usar a sua autenticidade com moderação, bom senso e firmeza, sem resvalar na pieguice ou na loucura.
Já uma pessoa vil não deixa de ter mau caráter pelo fato de ser polida.
Geralmente, esse equívoco de interpretação confunde a análise e julga-se mais pela aparência do que pela essência.
É por isso que um gentil cavalheiro ou uma dama polida, quando provocados, podem tornar-se irreconhecíveis, pela grosseria de seus atos e gestos.
Isso porque a provocação não resiste à pedra de toque, as mazelas internas rompem o verniz e a criatura mostra-se tal qual é: uma fera.
Nesses momentos usa todas as armas possíveis para agredir, sem mensurar se há justiça ou não em suas atitudes insanas.
Quanto mais fina a camada de verniz, mais facilmente surgirão as intimidações dos oponentes mostrando-lhes, de alguma forma, que estão investidas de algum poder, atrás do qual se protegem.
Quando não se tem argumentos lógicos, justos e coerentes, apela-se para o grito, a carteirada ou a força bruta.
Jesus, o grande Sábio de todos os tempos, disse: Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que são semelhantes a sepulcros caiados, vistosos por fora mas cheios de podridão por dentro. Assim também vós, por fora pareceis justos aos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade.
É essa maldade que vai aparecer sempre que ficar exposto o verdadeiro caráter do indivíduo, que está escondido por trás da polidez ou da falsa gentileza.
Por tudo isso vale construir um bom caráter de dentro para fora, pois ninguém poderá se manter por muito tempo sobre bases falsas.
Seja essencialmente gentil e sua gentileza se exteriorizará naturalmente, tão natural como o ato de respirar.
A palavra gentil, por exemplo, segundo os dicionários, quer dizer: de boa linhagem; nobre, fidalgo; elegante, garboso; que agrada pela delicadeza de sentimentos ou fineza de maneiras; amável.
E a palavra polidez quer dizer: caráter ou qualidade do que é polido; atitude gentil; cortesia, civilidade.
Geralmente as pessoas gostam de ser consideradas gentis e polidas, pois esses termos pressupõem atitudes nobres.
No entanto, a pessoa pode ser gentil e polida e não ser ética e nem moralmente correta.
Uma pessoa que se comporta com gentileza e polidez não está, necessariamente, agindo com bondade, equidade, complacência e gratidão.
O excesso de polidez e de gentileza pode até ser muito inconveniente.
É por isso que o ditado popular: É polido demais para ser honesto tem sua razão de ser.
Aquele que é gentil e polido, em excesso, passa por pouco verdadeiro. Isso porque, às vezes, a honestidade, a seriedade e a verdade exigem que se desagrade alguém.
Levada muito a sério, a polidez é o contrário da autenticidade.
Os muito polidos são como crianças grandes demasiadamente bem comportadas, prisioneiras de regras, iludidas pelos costumes e pelas conveniências.
Assim, entende-se que uma pessoa polida não deve ser, só por esse fato, considerada virtuosa.
A polidez pode ser uma atitude externa, como uma fina camada de verniz, adquirida pelas regras de etiqueta, e não ter ressonância no interior da alma.
Uma pessoa pode ser gentil e enérgica ao mesmo tempo, sem que isso a torne menos gentil.
Pessoas que nunca contrariam ninguém não podem estar sendo honestas nem verdadeiras.
Uma pessoa gentil sabe usar a sua autenticidade com moderação, bom senso e firmeza, sem resvalar na pieguice ou na loucura.
Já uma pessoa vil não deixa de ter mau caráter pelo fato de ser polida.
Geralmente, esse equívoco de interpretação confunde a análise e julga-se mais pela aparência do que pela essência.
É por isso que um gentil cavalheiro ou uma dama polida, quando provocados, podem tornar-se irreconhecíveis, pela grosseria de seus atos e gestos.
Isso porque a provocação não resiste à pedra de toque, as mazelas internas rompem o verniz e a criatura mostra-se tal qual é: uma fera.
Nesses momentos usa todas as armas possíveis para agredir, sem mensurar se há justiça ou não em suas atitudes insanas.
Quanto mais fina a camada de verniz, mais facilmente surgirão as intimidações dos oponentes mostrando-lhes, de alguma forma, que estão investidas de algum poder, atrás do qual se protegem.
Quando não se tem argumentos lógicos, justos e coerentes, apela-se para o grito, a carteirada ou a força bruta.
Jesus, o grande Sábio de todos os tempos, disse: Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, que são semelhantes a sepulcros caiados, vistosos por fora mas cheios de podridão por dentro. Assim também vós, por fora pareceis justos aos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e maldade.
É essa maldade que vai aparecer sempre que ficar exposto o verdadeiro caráter do indivíduo, que está escondido por trás da polidez ou da falsa gentileza.
Por tudo isso vale construir um bom caráter de dentro para fora, pois ninguém poderá se manter por muito tempo sobre bases falsas.
Seja essencialmente gentil e sua gentileza se exteriorizará naturalmente, tão natural como o ato de respirar.

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sábado, 5 de março de 2011
A gentileza dos estranhos
Numa época em que muitos desacreditam da generosidade humana e, pessimistas, dizem que neste mundo é cada um por si, que ninguém se importa com ninguém, é bom ouvir relatos que atestam exatamente o contrário.
Uma senhora que emigrou da Rússia, ainda criança, com sua família, após a segunda guerra mundial, tem recordações bastante agradáveis de uma pessoa que lhes era desconhecida.
Durante o terrível confronto mundial, ela e sua família foram seqüestrados e levados a um campo de concentração na Alemanha, onde permaneceram por cinco anos.
Tendo sobrevivido aos rudes tratos, vieram ao Brasil, desembarcando no porto do rio de janeiro, no ano de 1948.
Como imigrantes, receberam o prazo de quatro meses para conseguir emprego e moradia, caso contrário seriam deportados ao seu país.
Dois meses transcorridos, a família resolveu mudar-se para São Paulo em busca de melhores possibilidades.
Encontraram uma senhora alemã, que tinha uma casa para alugar. Contudo, a família não tinha recursos, não poderia indicar avalistas, por ser desconhecida na cidade.
A mãe de família explicou à dona da casa a situação. O prazo para conseguirem moradia e emprego terminaria em dois meses. O insucesso significaria desistir da esperança de melhores dias.
A senhora era uma dessas almas revestidas de bondade e de sabedoria.
Abriu a casa que lhe deveria render algum dinheiro e permitiu que a família ali se alojasse. Pagariam, quando tivessem condições.
Na seqüência, apresentou a jovem mãe de família ao açougueiro e ao dono do mercadinho. Como um aval de que pudessem realizar suas compras, a fim de não perecer de fome.
Os pais conseguiram um trabalho 15 dias depois e puderam recomeçar as suas vidas.
É uma das filhas que, entre a gratidão e a emotividade, narra o episódio. Sua vida e de toda sua família foi salva, graças a um coração que acreditou em sua honestidade.
E a família soube aproveitar, com muita vontade, a chance que lhe foi ofertada.
Pense nisso!
Um dia, num país distante, um casal procurou abrigo. Não possuía credenciais, nem cartas de apresentação.
Ele era um Carpinteiro, das bandas de Nazaré. Ela, uma jovem grávida, de aspecto cansado, pela longa viagem.
Seus bens não passavam de um jumento, um boi, roupas para viagem, algumas provisões, umas peças de enxoval para o bebê que deveria nascer em breve.
Uma alma generosa, não tendo outro lugar, cedeu-lhes a gruta onde costumava recolher seus preciosos animais.
E foi ali, na gruta de Belém, que uma Estrela de primeira grandeza surgiu no corpo de um menino.
O nome do homem era José. A mulher se chamava Maria. E o Menino recebeu o doce nome de Jesus.
Uma senhora que emigrou da Rússia, ainda criança, com sua família, após a segunda guerra mundial, tem recordações bastante agradáveis de uma pessoa que lhes era desconhecida.
Durante o terrível confronto mundial, ela e sua família foram seqüestrados e levados a um campo de concentração na Alemanha, onde permaneceram por cinco anos.
Tendo sobrevivido aos rudes tratos, vieram ao Brasil, desembarcando no porto do rio de janeiro, no ano de 1948.
Como imigrantes, receberam o prazo de quatro meses para conseguir emprego e moradia, caso contrário seriam deportados ao seu país.
Dois meses transcorridos, a família resolveu mudar-se para São Paulo em busca de melhores possibilidades.
Encontraram uma senhora alemã, que tinha uma casa para alugar. Contudo, a família não tinha recursos, não poderia indicar avalistas, por ser desconhecida na cidade.
A mãe de família explicou à dona da casa a situação. O prazo para conseguirem moradia e emprego terminaria em dois meses. O insucesso significaria desistir da esperança de melhores dias.
A senhora era uma dessas almas revestidas de bondade e de sabedoria.
Abriu a casa que lhe deveria render algum dinheiro e permitiu que a família ali se alojasse. Pagariam, quando tivessem condições.
Na seqüência, apresentou a jovem mãe de família ao açougueiro e ao dono do mercadinho. Como um aval de que pudessem realizar suas compras, a fim de não perecer de fome.
Os pais conseguiram um trabalho 15 dias depois e puderam recomeçar as suas vidas.
É uma das filhas que, entre a gratidão e a emotividade, narra o episódio. Sua vida e de toda sua família foi salva, graças a um coração que acreditou em sua honestidade.
E a família soube aproveitar, com muita vontade, a chance que lhe foi ofertada.
Pense nisso!
Um dia, num país distante, um casal procurou abrigo. Não possuía credenciais, nem cartas de apresentação.
Ele era um Carpinteiro, das bandas de Nazaré. Ela, uma jovem grávida, de aspecto cansado, pela longa viagem.
Seus bens não passavam de um jumento, um boi, roupas para viagem, algumas provisões, umas peças de enxoval para o bebê que deveria nascer em breve.
Uma alma generosa, não tendo outro lugar, cedeu-lhes a gruta onde costumava recolher seus preciosos animais.
E foi ali, na gruta de Belém, que uma Estrela de primeira grandeza surgiu no corpo de um menino.
O nome do homem era José. A mulher se chamava Maria. E o Menino recebeu o doce nome de Jesus.

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sexta-feira, 4 de março de 2011
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