Pesquise no Tita Carré

VISITORS FROM OTHER COUNTRIES


I want to thank all the friends from around the world and I hope the graphics help in their work!!
Thanks for the visits !!
Kisses,
Tita Carré
Mostrando postagens com marcador textos reflexivos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador textos reflexivos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de maio de 2013

A dor do abandono / pense nisto!!!


Era uma manhã de Sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo 
sem vida foi baixado à sepultura
 
De quem se trata?
Quase ninguém sabe.
Muita gente acompanhando o féretro?
Não.
Apenas umas poucas pessoas.
Ninguém chora.
 Ninguém sentirá a falta dela.
 Ninguém para dizer adeus ou até breve. 
Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado 
boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, 
algumas anotações.
 
Eram anotações sobre a dor...
Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos...
 
Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, 
grafado em algumas frases: 
Onde andarão meus filhos?
Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, 
onde estarão?
 
Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer olá, mamãe?
Ah!
Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono...
A mais deprimente solidão...
Se ao menos eu pudesse andar...
 
Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar Sol no jardim... 
Jardim que já conheço como a palma da minha mão. 
Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho...

 
Os dias passam... e com eles a esperança se vai...
No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei...
Mas, agora...
Como esquecer que fui esquecida?
 
Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia?
Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfazê-lo.
 
Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima...
Queria saber dos meus filhos...
Dos meus netos...
Será que ao menos se lembram de mim?
 
A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos...
Que a arrastam sem misericórdia...
Para longe de mim. 
Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim...
É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos 
que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria...
 
Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo...
Que eu vivo...
Que eu sinto... 
Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso...
Que a vida continua após a morte, de uma outra forma...
Mas com certeza a minha matéria, a minha mente, o meu eu dessa vida que vivo agora, 
com o nome que tenho...
 
Nunca mais existirá!
 E quando a morte chegar, só restará a saudade que com o passar do tempo se ameniza...
(Se é que alguém vai sentir saudade de mim, já que não sentem enquanto ainda estou viva neste asilo). 
Sinto que a minha hora está chegando...
Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse.
 
E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam...
 
Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pauzinhos de marfim – conto chinês


Conto do filósofo chinês Han Fei, oito séculos antes da nossa era.
Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando isto chegou ao conhecimento do rei seu pai, que era um homem muito sensato, este foi ter com ele e explicou-lhe:
— Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição!
O jovem príncipe ficou confuso. Não sabia se o pai falava a sério ou se estava a brincar. Mas o pai continuou:
— Quando tiveres os teus paus de marfim, verás que não ligam com a loiça de barro que usamos à mesa. Vais precisar de copos e tigelas de jade. Ora, as tigelas de jade e os paus de marfim não admitem iguarias grosseiras. Precisarás de cauda de elefante e fígado de leopardo. E quem tiver comido cauda de elefante e fígado de leopardo não vai contentar-se com vestes de cânhamo e uma casa simples e austera.
Irás precisar de fatos de seda e palácios sumptuosos. Ora, para teres tudo isto, vais arruinar as finanças do reino e os teus desejos nunca terão fim. Depressa cairás numa vida de luxo e de despesas sem limite. A desgraça irá atingir os nossos camponeses, e o reino afundar-se-á na ruína e desolação… Porque os teus paus de marfim fazem lembrar a estreita fissura no muro de uma fortaleza, que acaba por destruir toda a construção.
O jovem príncipe esqueceu o seu capricho e mais tarde veio a ser um monarca reputado pela sua grande sensatez.

domingo, 19 de maio de 2013

E uma criança guiá-los-á – Rubem Alves


A fotografia é simples: duas mãos dadas, uma mão segurando a outra. Uma delas é grande, a outra é pequena, rechonchuda. Isso é tudo. Mas a imaginação não se contenta com o fragmento – completa o quadro: é um pai que passeia com o seu filhinho. O pai, adulto, segura com firmeza e ternura a mãozinha da criança: a mãozinha do filho é muito pequena, termina no meio da palma da mão do pai. O pai vai conduzindo o filho, indicando o caminho, vai apontando para as coisas, mostrando como elas são interessantes, bonitas, engraçadas. O menino vai sendo apresentado ao mundo.
É assim que as coisas acontecem: os grandes ensinam, os pequenos aprendem. As crianças nada sabem sobre o mundo. Também, pudera! Nunca estiveram aqui. Tudo é novidade. Alberto Caeiro tem um poema sobre o Olhar (dele), que ele diz ser igual ao de uma criança:
O meu olhar é nítido como um girassol. (. . .)
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo.

O olhar das crianças é de espanto! Vêem o que nunca tinham visto! Não sabem o nome das coisas. O pai vai dando os nomes. Aprendendo os nomes, as coisas estranhas vão ficando conhecidas e amigas. Transformam-se num rebanho manso de ovelhas que respondem quando são chamadas. Quem sabe as coisas são os adultos. Conhecem o mundo. Não nasceram a saber. Tiveram de aprender. Houve um tempo em que a mãozinha rechonchuda era deles. Um outro, de mão grande, os conduziu. O mais difícil foi aprender quando não havia ninguém que ensinasse. Tiveram de tactear através do desconhecido. Erraram muitas vezes. Foi assim que as rotas e os caminhos foram descobertos. Já imaginaram os milhares de anos que tiveram de se passar até que os homens aprendessem que certas ervas têm poderes de cura? Quantas pessoas tiveram de morrer de frio até que os esquimós descobrissem que era possível fabricar casas quentes com o gelo! E as comidas que comemos, os pratos que nos dão prazer! Por detrás deles há milénios de experiências, acidentes felizes, fracassos! Vejam o fósforo, essa coisa insignificante e mágica: esfrega-se e eis o milagre: o fogo na ponta de um pauzinho. Eu gostaria, um dia, de dar um curso sobre a história do fósforo. Na sua história há uma enormidade de experiências e de pensamentos.
Ensinar é um acto de amor. Se as gerações mais velhas não transmitissem o seu conhecimento às gerações mais novas, nós ainda estaríamos na condição dos homens pré-‑históricos. Ensinar é o processo pelo qual as gerações mais velhas transmitem às gerações mais novas, como herança, a caixa onde guardam os seus mapas e ferramentas! Assim, as crianças não precisam de começar da estaca zero. Ensinam-se os saberes para poupar àqueles que não sabem o tempo e o cansaço do pensamento: saber para não pensar. Não preciso de pensar para riscar um fósforo. Os grandes sabem. As crianças não sabem. Os grandes ensinam. As crianças aprendem.
Está resumido na fotografia: o da mão grande conduz o da mãozinha pequena. Esse é o sentido etimológico da palavra pedagogo: aquele que conduz as crianças. Educar é transmitir conhecimentos. O seu objectivo é fazer com que as crianças deixem de ser crianças. Ser criança é ignorar, nada saber, estar perdido. Toda a criança está perdida no mundo. A educação existe para que chegue um momento em que ela não esteja mais perdida: a mãozinha de criança tem de se transformar na mãozona de um adulto que não precisa de ser conduzido: ele conduz-se, ele sabe os caminhos, ele sabe como fazer. A educação é um progressivo despedir-se da infância.
A pedagogia do meu querido amigo Paulo Freire amaldiçoava aquilo que se denominaensino bancário – os adultos vão depositando saberes na cabeça das crianças da mesma forma como depositamos dinheiro num banco. Mas parece-me que é assim mesmo que acontece com os saberes fundamentais: os adultos simplesmente dizemcomo as coisas são, como as coisas são feitas. Sem razões e explicações. É assim que os adultos ensinam as crianças a andar, a falar, a dar um laço no cordão do sapato, a tomar banho, a descascar laranja, a nadar, a assobiar, a andar de bicicleta, a acender o fósforo. Tentar criar consciência crítica para essas coisas é tolice. O adulto mostra como se faz. A criança faz do mesmo jeito. Imita. Repete. Mesmo as pedagogias mais generosas, mais cheias de amor e ternura pelas crianças, trabalham sobre esses pressupostos. Se as crianças precisam de ser conduzidas é porque elas não sabem o caminho. Quando tiverem aprendido os caminhos andarão por conta própria. Serão adultos. Toda a gente sabe que as coisas são assim: as crianças nada sabem, quem sabe são os adultos. Depreende-se, então, logicamente, que as crianças são os alunos e os adultos são os professores. A diferença entre quem sabe e quem não sabe. Dizer o contrário é puro nonsense. Porque o contrário seria dizer que as crianças devem ensinar os adultos. Mas, nesse caso, as crianças teriam um saber que os adultos não têm. Se já tiveram, perderam-no… Mas quem levaria a sério tal hipótese?
Pois o Natal é essa absurda inversão pedagógica: os grandes aprendendo com os pequenos. Um profeta do Antigo Testamento, certamente sem entender o que escrevia – os profetas nunca sabem o que estão a dizer –, resumiu essa pedagogia invertida numa frase curta e maravilhosa:… E uma criança guiá-los-á (Isaías 11.6). Se colocarmos este mote ao pé da fotografia tudo fica ao contrário: é a criança que vai mostrando o caminho. O adulto vai sendo conduzido: olhos arregalados, bem abertos, vendo coisas que nunca viu. São as crianças que vêem as coisas – porque elas vêem-nas sempre pela primeira vez com espanto, com assombro, surpreendidas de que elas sejam como são. Os adultos, de tanto as verem, já não as vêem mais. As coisas – as mais maravilhosas – permanecem banais. Ser adulto é ser cego.
Os filósofos, cientistas e educadores acreditam que as coisas vão ficando cada vez mais claras à medida que o conhecimento cresce. O conhecimento é a luz que nos faz ver. Os sábios sabem o oposto: existe uma progressiva cegueira das coisas à medida que o seu conhecimento cresce. Vale mais a pena ver uma coisa sempre pela primeira vez que conhecê-la. Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez. As crianças fazem-nos ver a eterna novidade do mundo. (Fernando Pessoa). .
Japucz Korczak, um dos grandes educadores do século XX – que foi (porque não as queria deixar) com as crianças da sua escola para a câmara de gás de um campo de concentração nazi –, deu a um dos seus livros o título: Quando eu voltar a ser criança.Ele sabia das coisas. Era sábio. Lição de psicanálise: os cientistas e os filósofos vêem o lado direito. Os sábios vêem o avesso. O avesso é este: os adultos são os alunos; as crianças são os mestres. Por isso os magos, sábios, deram por encerrada a sua jornada ao encontrarem um menino numa estrebaria…
Rubem Alves

sábado, 18 de maio de 2013

Grandes lições que podemos aprender com um cachorro….


Quando dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem não é a toa, veja tudo que você poder aprender com um cachorro, é impressionante se você parar realmente para pensar!
Se um cachorro fosse o seu professor, você aprenderia coisas assim:
*Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.
*Nunca perca uma oportunidade de ir passear.
*Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.
*Tire uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.
*Corra, pule e brinque todos os dias.
*Tente se dar bem com o próximo e deixe as pessoas te tocarem.
*Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.
*Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos e
deite debaixo da sombra de uma árvore.
*Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
*Não importa quantas vezes o outro te magoa,não se sinta
culpado…volte e faça as pazes novamente.
*Aproveite o prazer de uma longa caminhada.
*Se alimente com gosto e entusiasmo.
*Coma só o suficiente .
*Seja leal.
*Nunca pretenda ser o que você não é .
E o MAIS importante de tudo….
*Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique por
perto e mostre que você está ali para confortar.
*A amizade verdadeira não aceita imitações!!!
E NÓS PRECISAMOS APRENDER ISTO COM UM ANIMAL QUE, DIZEM SER IRRACIONAL !!!!

sexta-feira, 17 de maio de 2013

SERA QUE E POSSIVEL RETARDAR O ENVELHECIMENTO?


Sabemos que Não é de hoje que cientistas de todo o mundo vêm tentando descobrir uma forma de retardar o envelhecimento e, por que não, prolongar em muitos e muitos anos as nossas curtas vidinhas. E, de acordo com o site Live Science, um grupo de pesquisadores parece ter identificado uma região do cérebro que parece ser a responsável por acelerar ou retardar o processo de envelhecimento, pelo menos em ratinhos.
Os cientistas descobriram que, ao bloquear uma proteína específica (conhecida como NF-kB) e introduzir um determinado hormônio (o GnRH) em uma área no hipotálamo, tanto a juventude como o vigor dos bichinhos era prolongado em 20%. E essa combinação de substâncias não só retardou o envelhecimento físico, mas também reduziu o declínio cognitivo, incentivando a regeneração neuronal.
O hipotálamo é responsável por controlar funções como o metabolismo, o crescimento e a reprodução e, aparentemente, a juventude também. Embora ainda não se saiba se essa mesma região é responsável por controlar o processo de envelhecimento em humanos, caso seja confirmado que sim, as implicações são gigantescas.
A Fonte da juventude
Cientificamente, ainda não se sabe exatamente como é que o envelhecimento funciona, se todo o processo ocorre devido a diversas mudanças que são desencadeadas em determinados tecidos ou órgãos ou se se trata de uma ação pontual controlada por um único órgão.
Segundo os cientistas, caso o hipotálamo humano apresente as mesmas funções, não só seria possível frear o declínio físico com o uso das substâncias descritas acima, como também tratar doenças degenerativas relacionadas com o envelhecimento, como a demência, algumas lesões cerebrais e o Alzheimer.
Os pesquisadores agora esperam entender melhor qual é — em nível molecular — a função do hipotálamo no controle do envelhecimento e da longevidade, e encontrar formas de retardar esse temido processo em humanos.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A FESTA DA GRAMÁTICA

Um dia dona Gramática resolveu dar uma grande festa. Queria reunir todos os membros da Língua Portuguesa. Convite feito, convite aceito. No dia marcado foram chegando os componentes da Fonética, da Morfologia, da Semântica, da Sintaxe e da Estilística e já foram formando seus grupos. Todos vestidos a caráter. Dona Gramática estava feliz com o evento. Como é bom ver os filhos reunidos em concordância.
         O baile estava animadíssimo. O Ditongo dançava com a Divisão Silábica muito disputada pelo Tritongo e pelo Hiato. O Radical conversava com a Raiz enquanto observavam o animado jogo de palavras entre o Sinônimo e o Antônimo. A Conjunção, que havia bebido um pouco, não sabia se era coordenativa ou subordinativa, foi preciso a intervenção da Interjeição para acabar com a dúvida. O grupo das Vogais desafiava o das Consoantes.
            O Substantivo estava numa dura queda de braço com Adjetivo, tudo num clima de amizade. O Artigo Masculino namorava, lá no cantinho escuro, com o Artigo Feminino que determina a palavra Felicidade para que ela seja eterna. A Derivação batia um papo com a Composição. Falavam das suas formações. A Derivação se acha importante porque é formada por sufixação, prefixação, parassíntese e derivação regressiva. A Composição também tem seu orgulho ora ela é justaposta, ora é aglutinada. A Oração Sem Sujeito fofocava com Oração Reduzida, o Objeto Direto deu uma rasteira no Agente da Passiva e saiu com a Regência Nominal em clima de Prosódia e Ortoépia. A Onomatopéia rodopiava pelo salão. O Eufemismo tentava suavizar as palavras para dizer à Hipérbole o quanto ela dança mal. O Pleonasmo dizia à Antítese que só acreditava naquela festa porque estava vendo com “seus próprios olhos”. A Reticência dava uma de cantora, mas era tão desafinada que o Cacófato veio correndo para calar “a boca dela”.
             Lá pelas tantas, a Gramática ouviu um rumor parecido com uma discussão. Correu para o canto de onde vinha o alarido e chegou a tempo de ver e ouvir o Verbo gritando:
           - Eu vou falar, eu quero falar.
          A Gramática interferiu.
          - Meu filho qual é o problema?
           Nesse momento já havia parado a música e todos estavam aglomerados em torno da Gramática e do Verbo.
          - Desde que eu cheguei nesta festa que ouço vocês contando vantagem. Um é isso, outro é aquilo. Porque um é melhor e o outro pior. Droga! Nós somos uma família. Pertencemos ao mesmo idioma, sendo assim um não pode ser melhor que o outro. Nenhum brilha mais que o outro.
            Foi nesse momento que o Verbo Auxiliar aplaudiu:
          - Bravo companheiro. É isso aí. Onde já se viu uma coisa dessas. Já pensou se cada elemento de um idioma começasse a dizer que é o tal? Seria uma Babel.
Todos ficaram calados. E o Verbo, muito nervoso, continuou a falar com sua potente voz:
             - Senhores, nós somos um exército composto por soldados talhados na forma de palavras. Lutamos numa guerra eterna para não perder a nossa identidade, para não deixar o invasor nos assimilar e implantar o seu idioma. Apesar da nossa vigilância vem a infame influência e planta uma palavrinha aqui, outra ali e quando abrirmos os olhos já não haverá um idioma, somente um dialeto. É preciso ensinar as crianças, desde cedo, a amar a língua. Como fazer? Ensinando-as a falar e escrever corretamente.
            - Vejam os erros de concordância nas redações, isso é só uma parte, sem contar a incompreensão de textos e outras coisas mais. Tudo isso por conta do mau ensino. E vocês ficam aí discutindo bagatelas.
           O verbo sentou e chorou. Dona Gramática, pensativa, admitia o erro no ensino da língua.
             A festa que começara animada voltou aos “tempos primitivos” e foi preciso um “Imperativo” na tentativa de restaurar a alegria. A orquestra de letrinhas, que parara de tocar, começou a recolher os instrumentos que estavam no chão. E para que não houvesse mais confusão o Sujeito subiu numa cadeira e gritou.
          - Aí pessoal, vamos agitar porque essa festa não está mais “manera”, parece um cemitério, pô. Os “manos” vieram aqui dançar e levar um “lero” legal.
            - Vejam que falei gírias, também uso a forma culta, isso foi só para mostrar como é belo esse idioma que tem palavras para designar qualquer coisa. Procurem por aí a palavra saudade, ninguém tem, só nós.  Tem mais pessoal, na festa da dona Gramática não há lugar para se discutir problema de ensino, aqui é o lugar da união de todos para formarmos um só corpo. Discutir ensino de gramática, isso é lá com “seu” Ministro.
           Todos concordaram e o Sujeito saiu balançando o esqueleto pelo salão à procura de uma Flexão Adjetiva para um giro numa folha de caderno.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um poema de Drummond para refletirmos e reverenciarmos a vida…

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é dizer “oi” ou “como vai?”
Difícil é dizer “adeus”. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho…

terça-feira, 14 de maio de 2013

Quer parecer 10 anos mais velha?


 Prolongar a imagem dos tempos da juventude é desafio para a maioria das mulheres.
 
Um dos segredos é trabalhar pesado para manter a silhueta dos vinte e poucos anos, mas prestar atenção para não deixar seu look muito datado também é fundamental!
Existem algumas peças que, mesmo levando em conta o vaivém da moda, derrubam a aparência de qualquer pessoa.
Confira a lista de elementos de estilo que podem acrescentar até 10 anos à sua aparência.
Mesmo que você goste e continue usando, é bom ficar sabendo:

  • Pareô amarrado no pescoço (tipo tapa tudo) + chapéu de abas largas na praia.
  • Tailleur de mangas curtas.
  • Blusa transparente com sutiã aparente.
  • Chemisier.
  • Blusa tipo chemise, de seda ou cetim, com discreto laço no pescoço. Em geral, roupa vintage envelhece. Essa moda é boa para gente jovem!
  • Blusa ou camisa de seda branca ou creme + jeans (se for com sapatilha, então, pior!)
  • Jeans com cintinhos e sapatos combinando.
  • Jeans com vinco.
  • Twin-set tradicional.
  • Comprimento de saia um palmo abaixo dos joelhos (tipo longuette).
  • Minissaia depois dos 40 complica (mesmo que você tenha pernas maravilhosas).
  • Meias de nylon brancas, champagne (dão efeito de perna engessada), ou cor da pele.
  • Lenços mal amarrados: se não souber amarrar direito, NÃO USE! Não há nada que envelheça mais.
  • Pérolas tímidas; acessórios miúdos.
  • Xalinho nas costas.
  • Rosto empoado. Contorno da boca mais escuro que o batom.
  • Cabelo fora de mora (10 anos a mais no visual, com certeza).
  • Cabelos com mechas para disfarçar os brancos (Sinto muito, mas é verdade!).
  • Conjuntinhos de bolsa e sapato idênticos e de bijuterias ou jóias super combinadinhas.
  • Óculos de leitura pendurados no pescoço.
  • Sapatinhos cômodos de salto grosso e baixo.
  • Sapatos de ótima qualidade, mas com salto e bico fora de moda.
  • Achar a moda atual “UM HORROR”.
  • Ter pânico de eletrônicos e de tecnologia.
  • Lembrar quem matou Odete Roitman!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

As coisas em ordem...

Os grandes antigos, quando queriam propagar altas virtudes, punham seus Estados em ordem.

Antes de porem seus Estados em ordem, punham em ordem suas famílias.

Antes de porem em ordem suas famílias, punham em ordem a si próprios.

E antes de porem em ordem a si próprios, aperfeiçoavam suas almas, procurando ser sinceros consigo mesmos
e ampliavam ao máximo seus conhecimentos.

A ampliação dos conhecimentos decorre do conhecimento das coisas como elas são
(e não como queremos que elas sejam).

Com o aperfeiçoamento da alma e o conhecimento das coisas, o homem se torna completo.

E quando o homem se torna completo, ele fica em ordem.

E quando o homem está em ordem, sua família também está em ordem.

E quando todos os Estados ficam em ordem, o mundo inteiro goza de paz e prosperidade.

domingo, 12 de maio de 2013

Avance sempre

Na vida as coisas, às vezes, andam muito devagar. Mas é importante não parar. Mesmo um pequeno avanço na direção certa já é um progresso, e qualquer um pode fazer um pequeno progresso. 

Se você não conseguir fazer uma coisa grandiosa hoje, faça alguma coisa pequena.
Pequenos riachos acabam convertendo-se em grandes rios.

Continue andando e fazendo.

O que parecia fora de alcance esta manhã vai parecer um pouco mais próximo amanhã ao anoitecer se você continuar movendo-se para frente.

A cada momento intenso e apaixonado que você dedica a seu objetivo, um pouquinho mais você se aproxima dele.

Se você pára completamente é muito mais difícil começar tudo de novo.

Então continue andando e fazendo. Não desperdice a base que você já construiu. Existe alguma coisa que você pode fazer agora mesmo, hoje, neste exato instante.

Pode não ser muito mas vai mantê-lo no jogo.

Vá rápido quando puder. Vá devagar quando for obrigado.
Mas, seja, lá o que for, continue. O importante é não parar!!!

sábado, 11 de maio de 2013

O rio e o leão

Depois de uma grande enchente, o leão viu-se cercado por um rio e ficou sem saber como sair dali. Nadar não era de sua natureza, mas só lhe restavam duas opções: atravessar o rio ou morrer. O leão urrou, mergulhou na água, quase se afogou, mas não conseguiu atravessar, Exausto, deitou para descansar. Foi quando escutou o rio dizer:
- Jamais lute com o que não está presente.
Cautelosamente, o animal olhou em volta e perguntou:
- O que não está aqui?
- O seu inimigo não está aqui – respondeu o rio. – Assim como você é um leão, eu sou apenas um rio.
Ao ouvir isso, o leão, muito sereno, começou a estudar as características do rio. Logo identificou um certo ponto em que a correnteza empurrava para a margem e, entrando na água, conseguiu boiar até o outro lado.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Tanchemos boas estacas

O verbo tanchar já caiu da moda. 
Quase só se usa no antigo provérbio: “Quem muitas estacas tancha, alguma lhe há de tachar”.
Mas deixemos passar o têrmo arcaico. Quem viaja nos grandes rios ou em certos mares nota que o piloto está sempre a observar as balizas que marcam o canal. 
Sem esses balizas é inevitável o encalhe ou abalroamento da embarcação. 
Essas balizas são, muitas vezes, simples estacas tanchadas ao longo do canal. 
O barco da nossa vida navega em rios tortuosos. Aqui, um banco de areia, ali um escolho. 
Ah! Se não estiver bem balizado o canal! “Mas quem nos tanchará as estacas-baliza?”
 – Nós mesmos. O moço já sabe que aquela leitura lhe foi prejudicial – tanche ali uma estaca. Aquela taberna causou tanto mal à sua vida passada – tanche ali uma estaca. 
A mesa do pano verde quanta lágrima já fez derramar a sua família! 
Tanche ali uma estaca. Já sabe que aquele é um mau inimigo, tanche ali uma estaca.
Aí está um roteiro traçado pela experiência pessoal

Anacleto


Anacleto era um sujeito.
Ele sabia de quase tudo...
Fazia quase tudo certo.
Ninguém fazia contas tão bem quanto Anacleto.
Ele não se atrapalhava com os números, nunca errava as somas.
Anacleto era o melhor aluno da escola, o corredor mais rápido da rua e também um craque de bola.
Anacleto fazia piruetas na bicicleta, nadava como um peixe... E era radical no skate.
Anacleto era um verdadeiro atleta.
Anacleto anda sempre arrumado, camisa limpinha, sapato engraxado, cabelo penteado, nariz sem meleca.
A Mônica, a Bia e a Teça, ele já tinha namorado.
Anacleto falava bonito.
Conhecia palavras como EXATAMENTE e IMPRESSIONANTE.
Era realmente um sujeito brilhante.
Anacleto sabia o triplo de cinco, sabia o que provocava relâmpagos e de onde vêm os bebês.
Sabia até o que é ORNITORRINCO.
Mas, apesar de tão esperto, era um sujeito quase completo.
Sabe por quê?
Anacleto não sabia de tudo não: ele não sabia fazer bolinha de sabão...

Fonte:CISALPINO, Murilo; TEIXEIRA, Zeflavio. Anacleto, um sujeito quase completo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O BARQUEIRO

Em um grande rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora.
Como que gosta de falar muito, o advogado perguntou ao barqueiro:
- Companheiro, você entende de leis?
- Não – respondeu o barqueiro.
E o advogado compadecido, disse:
- É pena, você perdeu metade da vida!
A professora, muito social, entra na conversa:
- Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?
- Também não – responde o remador.
- Que pena! Condói-se a mestra – você perdeu a metade da vida!
Nisso chega uma onde bastante forte e vira o barco.
O canoeiro preocupado, pergunta:
- Vocês sabem nadar?
- Não! – respondem eles rapidamente.
- Então é uma pena – concluiu o barqueiro – Vocês perderam toda a vida!

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A MULETA DA VOVÓ

Era uma professora recém formada em magistério de 2° grau. Enfrentava, nesse momento, a pesada responsabilidade de alfabetizar uma classe de 34 crianças.
Eu estava sentado lá no fundo da sala. Já tinha perdido a devida autorização para observar a aula. Intuito: sentir mais de perto as práticas pedagógicas na área da alfabetização. Na época, 1977, eu havia sido convidado para organizar uma cartilha, coisa que, felizmente, nunca foi concretizada.
Sobre a mesa do professor um roteiro de aula, que, de onde eu estava, não dava para ver tamanho nem formato. Bom saber que nestes tempos ainda há professores que planejam e roteirizam as suas ações, contrapondo-se à famigerada improvisação.
Diz à classe:
- Copiem as duas palavrinhas que vou escrever na lousa.
E escreve, uma embaixo da outra, lendo em voz alta:
- Mata-borrão, tinteiro.
As crianças, de “esferográfica” em punho, começam a copiar, sempre lembrando que não deveriam se esquecer de cortar o tê.
Ao passeio da professora pelas fileiras, checando as cruzadinhas dos tês, vejo-me com um sentimento de espanto e estranheza frente às duas palavras selecionadas para a lição: mata-borrão, tinteiro. De que diabo de lugar ela tinha retirado tais palavras?
Arrisco, bem baixinho, uma pergunta ao garoto sentado na fileira ao lado:
- Você sabe o que é mata-borrão?
- Sei lá. Acho que é bandido. Assassino.
Meu pensamento corre longe no restante da aula. Volto aos meus tempos de escola primária na década de 50. Caneta de pena, tinteiro e mata-borrão faziam parte do material que eu levava à escola. Molhávamos a pena no tinteiro que ficava num recipiente colocado no topo da carteira, escrevíamos no caderno de caligrafia e passávamos o mata-borrão por cima para sugar o excesso de tinta, não borrar a folha.
Bate o sinal. Eu acordo e corro lá na frente para saciar a minha curiosidade.
- De onde você tirou aquelas duas palavras para os alunos copiarem?
- Quais duas?
- Mata-borrão e tinteiro.
- Ah, sim. Deste meu roteiro aqui – uma preciosidade que herdei da minha avó. Ela também foi professora. A melhor alfabetizadora da região. Sigo direitinho as suas instruções.
E mostrou-me um caderno meio roto, desgastado pelo tempo e pelo uso. Escrito naquelas antigas letras de cartório. Cheirava a cravo-de-defunto. Bisbilhotei a lição do dia, onde encontrei, à página 17, as seguintes instruções: “Na 6a aula, vós deveis fornecer um exercício de cópia com palavras ‘mata-borrão’ e ‘tinteiro’”.
Nas mãos da professora a muleta da vovó. Na cabeça dos alunos mata-borrão = assassino.

Fonte:SILVA, Ezequiel Theodoro da. Magistério e mediocridade. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

hotwords