A PONTE DO ARCO-ÍRIS

O pequeno filhote e o cão mais velho estavam deitados à sombra, sobre a grama verde, observando os reencontros. Às vezes um homem, às vezes uma mulher, às vezes uma família inteira se aproximava da Ponte do Arco-Íris, era recebida por seus animais de estimação com muita festa e eles cruzavam juntos a ponte.

O filhotinho cutucou o cão mais velho: ” Olha lá! Tem alguma coisa maravilhosa acontecendo!” O cão mais velho se levantou e latiu:”Rápido! Vamos até a entrada da ponte!” “Mas aquele não é o meu dono”, choramingou o filhotinho; mas ele obedeceu.

Milhares de animais de estimação correram em direção àquela pessoa vestida de branco, que caminhava em direção à ponte. Conforme aquela pessoa iluminada passava por cada animal, o animal fazia uma reverência com a cabeça em sinal de amor e respeito.

A pessoa finalmente aproximou-se da ponte, onde foi recebida por uma multidão de animais que lhe faziam muita festa. Juntos, eles atravessaram a ponte e desapareceram. O filhotinho ainda estava atônito: “Aquilo era um anjo?”, perguntou baixinho.

“Não, filho”, respondeu o cão mais velho. “Aquilo não era só um anjo. Era uma pessoa que trabalhava em um abrigo de animais.”

MORAL DA HISTÓRIA

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital.Um deles podia se sentar na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto. O outro homem tinha que ficar sempre deitado de costas.
Os homens conversavam horas e horas. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias…
E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela. O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por
entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia passar:
Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas. .Dias e semanas passaram. Uma manhã , a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida, o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. A enfermeira ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto. Lentamente, pois este homem estava praticamente bom, e sairia em breve do hospital, mas o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez uma expressão de espanto ao olhar para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma
parede de tijolo! .O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas passar alguma coragem pra ele…
Moral da História: Existe uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada. Se você quer se sentir rico, conta todas as coisas que você tem que o dinheiro não pode comprar.

‘O dia de hoje é uma dádiva, por isso é que o chamam de presente.

AS PALAVRAS (José Saramago)

As palavras são boas. As palavras são más. As
palavras ofendem. As palavras pedem desculpas.
As palavras queimam. As palavras acariciam.
As palavras são dadas, trocadas, oferecidas,
vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes.
Algumas palavras sugam-nos, não nos largam...
As palavras aconselham, sugerem, insinuam,
ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas
ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas
com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios
de palavras que vivem em boa paz com as suas
contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o
contrário do que pensam, julgando pensar o
que fazem. Há muitas palavras. E há os
discursos, que são palavras encostadas
umas às outras, em equilíbrio instável graças
a uma precária sintaxe, até ao prego final do
Disse ou Tenho dito. Com discursos se comemora,
se inaugura, se abrem e fecham sessões, se
lançam cortinas de fumo ou dispõem bambinelas
de veludo. São brindes, orações, palestras e
conferências. Pelos discursos se transmitem
louvores, agradecimentos, programas e fantasias. E
depois as palavras dos discursos aparecem deitadas
em papéis, são pintadas de tinta de impressão - e por
essa via entram na imortalidade do Verbo. E as palavras
escorrem tão fluidas como o
"precioso líquido". Escorrem interminavelmente,
alagam o chão, sobem aos joelhos,
chegam à cintura, aos ombros, ao pescoço.
É o dilúvio universal, um coro desafinado
que jorra de milhões de bocas. A terra segue o seu
caminho envolta num clamor de loucos, aos gritos,
aos uivos, envoltos também num murmúrio manso,
represo e conciliador... E tudo isso atordoa as estrelas
e perturba as comunicações, como as tempestades
solares. Porque as palavras deixaram de comunicar.
Cada palavra é dita para que se não ouça outra
palavra. A palavra, mesmo quando não afirma,
afirma-se. A palavra não responde nem pergunta:
amassa. A palavra é a erva fresca e verde
que cobre os dentes do pântano. A palavra é poeira
nos olhos e olhos furados. A palavra não mostra.
A palavra disfarça. Daí que seja urgente moldar
as palavras para que a sementeira se mude em
seara. Daí que as palavras sejam instrumento
de morte - ou de salvação. Daí que a palavra só valha
o que valer o silêncio do ato. Há também o silêncio.
O silêncio, por definição, é o que não se ouve.
O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa.
O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil,
o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar.
Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras.
As palavras boas e as más. O trigo e o joio.
Mas só o trigo dá pão.

Riscos - Era uma vez....6






Riscos - Era uma vez....6



Duas Escolhas

”Luis é o tipo de cara que você gostaria de conhecer”.
“Ele estava sempre de bom humor e sempre tinha algo de positivo para dizer”.
Se alguém lhe perguntasse como ele estava, a resposta seria logo:
“Ah.. Se melhorar, estraga”.Ele era um gerente especial em um restaurante, pois seus garçons o seguiam de restaurante em restaurante apenas pelas suas atitudes. Ele era um motivador nato.
Se um colaborador estava tendo um dia ruim, Luis estava sempre dizendo como ver o lado positivo da situação. Fiquei tão curioso com seu estilo de vida que um dia lhe perguntei: “Você não pode ser uma pessoa positiva todo o tempo”.

“Como faz isso” ? Ele me respondeu: “A cada manhã, ao acordar, digo para mim mesmo”: “Luis, você tem duas escolhas hoje: Pode ficar de bom humor ou de mau humor. Eu escolho ficar de bom humor”.Cada vez que algo ruim acontece, posso escolher bancar a vítima ou aprender alguma coisa com o ocorrido. Eu escolho aprender algo. Toda vez que alguém reclamar, posso escolher aceitar a reclamação ou mostrar o lado positivo da vida. Certo, mas não é fácil – argumentei. É fácil sim, disse-me Luis. A vida é feita de escolhas. Quando você examina a fundo, toda situação sempre oferece escolha. Você escolhe como reagir às situações. Você escolhe como as pessoas afetarão o seu humor. É sua a escolha de como viver sua vida. Eu pensei sobre o que o Luis disse e sempre lembrava dele quando fazia uma escolha. Anos mais tarde, soube que Luis um dia cometera um erro, deixando a porta de serviço aberta pela manhã. Foi rendido por assaltantes.

Dominado, e enquanto tentava abrir o cofre, sua mão tremendo pelo nervosismo, desfez a combinação do segredo. Os ladrões entraram em pânico e atiraram nele. Por sorte foi encontrado a tempo de ser socorrido e levado para um hospital. Depois de 18 horas de cirurgia e semanas de tratamento intensivo, teve alta ainda com fragmentos de balas alojadas em seu corpo. Encontrei Luis mais ou menos por acaso. Quando lhe perguntei como estava, respondeu: “Se melhorar, estraga”. Contou-me o que havia acontecido perguntando:
“Quer ver minhas cicatrizes”? Recusei ver seus ferimentos, mas perguntei-lhe o que havia passado em sua mente na ocasião do assalto. A primeira coisa que pensei foi que deveria ter trancado a porta de trás, respondeu. Então, deitado no chão, ensangüentado, lembrei que tinha duas escolhas: “Poderia viver ou morrer”. “Escolhi viver”! Você não estava com medo? Perguntei. “Os para-médicos foram ótimos”. “ Eles me diziam que tudo ia dar certo e que ia ficar bom”. “Mas quando entrei na sala de emergência e vi a expressão dos médicos e enfermeiras, fiquei apavorado”. Em seus lábios eu lia: “Esse aí já era”. Decidi então que tinha que fazer algo.

O que fez ? Perguntei. Bem Havia uma enfermeira que fazia muitas perguntas. Perguntou-me se eu era alérgico a alguma coisa. Eu respondi: “sim”. Todos pararam para ouvir a minha resposta. Tomei fôlego e gritei; “Sou alérgico a balas”! Entre risadas lhes disse: “Eu estou escolhendo viver, operem-me como um ser vivo, não como um morto”. Luis sobreviveu graças à persistência dos médicos… mas sua atitude é que os fez agir dessa maneira. E com isso, aprendi que todos os dias, não importa como eles sejam, temos sempre a opção de viver plenamente. Afinal de contas :
“ATITUDE É TUDO”.TENHA UM EXCELENTE DIA ! OU MELHOR ..:

Mágoa sem razão

Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Suas notas e seu comportamento eram uma decepção para seus pais que, como a maioria, sonhavam em vê-lo formado e bem sucedido.

Um belo dia, o pai lhe propôs um acordo: Se você, meu filho, mudar seu comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir entrar para a Faculdade de Medicina, lhe darei um carro de presente.

Por causa do carro, o rapaz mudou totalmente de atitude. Passou a estudar como nunca e a se comportar muito bem.

O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação: sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversão sincera, mas apenas pelo interesse em obter o automóvel, e isso era ruim!

Assim, o grande dia chegou. Fora aprovado para o Curso de Medicina. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração.

O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel.

Mas, quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou as mãos uma caixa de presente.

Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Mas, para sua surpresa era uma Bíblia.

Visivelmente decepcionado, nada disse. E, a partir daquele dia, o silêncio e a distância separaram pai e filho.

O jovem se sentia traído e agora lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade. Raramente mandava notícias para a família.

O tempo passou, ele se formou, conseguiu um emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços afetivos foram em vão.

Os anos rolaram até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu, não resistiu e morreu.

No enterro, a mãe entregou ao filho indiferente, a Bíblia que tinha sido o último presente do pai e que havia sido deixada para trás.

De volta a sua casa o rapaz, que nunca perdoara o pai, ao colocar o livro numa estante notou que entre as suas páginas havia um envelope.

Abriu-o e encontrou uma carta. Dentro dela, um cheque. A carta dizia:

Meu querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que você escolha aquele carro que mais lhe agradar.

No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: a Bíblia, pois nela aprenderá o amor de Deus pelas Suas criaturas e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência.

Corroído de remorso, o filho caiu em profundo pranto...

A EXPRESSÃO DA ALMA

A expressão da alma é serena, mansa, sem
arroubos ou depressões.A expressão da alma
é a expressão da paz, da tranqüilidade. A alma
não se exalta, nem se desespera. Se expressa
sempre no mesmo tom, porque ela não busca
nem evita nada, não tem que partir nem chegar.
A alma vê e reage ao que vê, sem ter que provar
nada nem convencer ninguém. A alma brinca
e vive sempre da mesma maneira. Tudo para
ela é vida. Aexpressão da alma é a mais pura
e real expressão do seu eu interior. O ser
interior, quando se expressa, é a expressão
da verdade, daquilo que vê, sente, e ouve, sem
subterfúgios, sem os jogos sociais. A alma, quando se
expressa, é percebida e sentida, vista e amada. A sua
expressão toca fundo nas pessoas, de maneira suave
e direta. Tocar as pessoas é um gesto da alma.
A máscara, os jogos encontram ressonâncias em outra
máscara, em outros jogos. Para encontrarmos a
pessoa do outro, precisamos nos expressar com a nossa
alma. É ela que atinge,transforma e faz vibrar na alma,
o contato, o encontro, o toque. A
intimidade só é intimidade de almas. Na sua
profissão, você sabe, não tem jeito de ser efetivo
sem a expressão da alma. É necessário que a
alma do outro se expresse para ser recebida
e tocada pela sua. A sua alma será um convite
para a expressão da alma do outro. Se sua
alma se esconder, ou não se expressar, você
estará mostrando ao outro que a alma dele também
não poderá ser expressa. Então não haverá o
encontro curativo. Ele perceberá que junto de você
não existem condições para que sua alma se expresse.
Uma vez que você evita a sua própria, como então,
poderá receber a dele? Você só receberá a alma do
outro se estiver à vontade com a sua. Você só
encontrará o outro se antes tiver se encontrado com
você. Sem você não poderá existir o outro.

O POETA

Neste mundo, sou um forasteiro, um estranho; a solidão no imigrante é uma saudade atroz. No entanto, o exílio me faz sempre sonhar com a terra encantada, enquanto as doces imagens duma paisagem quimérica, distante, enchem toda a minha fantasia.
Sou um desconhecido dos meus parentes e amigos; quando com um deles me encontro, por acaso, pergunto a mim mesmo: Quem será esse? Onde e como o conheci? Qual o determinismo estranho que nos aproxima e nos faz falar?
Sou estranho à minha própria alma: por isso, quando a minha língua fala, não sei se ouço a minha própria voz. Às vezes, noto indefiníveis. movimentos quiméricos no íntimo do meu ser, que eu vejo, ao mesmo tempo, risonho, heróico, queixoso, tímido?.. Então, pasmado ante mim mesmo, procuro decifrar o enigma do meu espírito, e, não obstante, continuo sendo um desconhecido, envolto na né-voa e oculto pelo silêncio.
Sou estranho ao meu corpo. Quando, diante do cristal polido de espelho, observo em mim como que expressões que não correspondem ao meu íntimo sentir, e vejo, no fundo das minhas pupilas, imagens que não traduzem, de modo algum, o que está na minha alma.
Quando pelas ruas, sou seguido por jovens inquietos que dizem: — “Olha um cego! demos-lhe um bordão que lhe sirva de apoio!”
Depressa me afasto deles, mas logo me tomam os passos grupos de lindas donzelas, que exclamam juntas a mim: — “É surdo como uma rocha; mesmo assim, enchamos-lhè os ouvidos com canções de amor e juventude!”
Então, apresso-me a evitar o seu contacto; mas logo sou assaltado por bandos de homens que, correndo, me cercam, e vociferam: — “É mudo como um túmulo! Destra-vemos-lhe a língua!”
Cheio de medo fujo deles, e eis que me vou defrontar com um grupo de anciãos, que apontam para mim com os seus dedos trêmulos, enquanto dizem:
— “É um possesso… Perdeu o juízo no fundo fantástico dos gênios e dos demônios…”
Eu sou um estrangeiro neste mundo; viandante que percorre, inutilmente, toda a terra, de norte a sul, desde o nascente ao poente, em busca do solo natal, que nem eu, nem ninguém o terá visto, que ninguém o conhece ou terá ouvido falar dele.
Quando amanhece e desperto, vejo-me preso numa gruta sombria, de cujo teto pendem, por todos os ângulos, inquietos hóspedes alados, temíveis e horrorosas serpentes. Saio logo para a luz, e sou perseguido pela sombra do meu corpo, assaltado pelo fantasma de minha alma, que me transporta por caminhos desconhecidos, para horizontes inexplicáveis, tomado por coisas sem utilidade e sem finalidade alguma.
Ao tombar o dia, volto a cair no meu leito de penas quebradas e espinhos aguçados por martírios. Aí, sou perseguido por pensamentos estranhos e se apossam de mim desejos que se contradizem, instantes dolorosos e molestes, seguidos de outros, prazenteiros e felizes…
Meia-noite em ponto; e, pelas fendas das rochas, entram duendes em minha gruta, visões dos tempos idos, espectros de nações esquecidas. Olhamo-nos firmes, por momentos; quando os interrogo, sorriem e não respondem; por mim, se os quero apanhar, esfumam-se como o nevoeiro.
Neste mundo, eu sou um forasteiro. Não existe quem compreenda uma palavra, ao menos, da linguagem da minha alma. Percorro os ermos desertos, fito os regatos velozes que correm do cimo das montanhas até o fundo dos barrancos; vejo as árvores nuas revestirem-se de virente folhagem e logo frutificarem, espalhando pelo solo, instantes após, as folhas secas dos ramos frondosos, agora feito áspi-des, contorcidos num torpor de frio sono… Também contemplo as aves que voam de um para outro lugar, subindo e descendo, trinando, alegres ou tristonhas, que param, por fim, de asas abertas, transformadas, por instantes, em mulheres nuas de cabelos soltos e seios ebúrneos, que me olham através de pestanas que a paixão finge de lânguidas, sorrindo com os lábios rosados e úmidos de mel, estendendo–me as suas mãos finas e perfumadas, e que, no entanto, desaparecem logo na névoa, deixando no ar o eco das suas risadas sarcásticas, que zombam de mim…
Eu sou um estrangeiro neste mundo. Sou o poeta que, de passagem pela vida, canta em seus versos o que ela possui de mais profundo, harmonioso e belo.
Eu sou um estrangeiro, e serei sempre um estrangeiro para mim, até que a morte me leve e me faça voltar à minha verdadeira pátria. (GIBRAN, KHALIL in Antologia do Pensamento Mundial, Ed. Logos

Riscos - Era uma vez....4










Sabedoria de Professora

A professora primária, após o seu horário de aulas, conversava com um menino, que reclamava muito dos colegas e por isso não tinha amigos.

O garoto lhe disse: eu não suporto o Francisco, ele é exibido e orgulhoso só porque o seu pai tem mais dinheiro que os nossos.
Mas ele é alegre e participativo, falou a mestra.

E a Cininha? Parece que tem o rei na barriga. Tá certo que ela ajuda as colegas mais atrasadas a fazer suas lições, mas é chata.

O Sebastião vive se exibindo, só porque ele é o mais forte da classe.

Lembre-se que ele salvou duas colegas que estavam sendo assaltadas, arriscando a própria vida, argumentou a professora.

Mas é exibido! Disse o menino.

A classe tem quarenta alunos e a escola quase mil, disse a educadora, e você não tem ninguém de quem goste?

Não dá professora. Eu não suporto gente fingida, egoísta, orgulhosa...

Mas ninguém tem nada de bom?

Tem sim, professora, mas tem muita coisa ruim também.

A mestra pediu que o aluno a acompanhasse. Pegou um pouco de açúcar na cozinha e um pouco de areia no pátio.

Foram até o fundo do quintal, onde ela misturou o açúcar cristal com a areia e colocou perto de um formigueiro.

Depois de alguns minutos uma formiga descobriu o açúcar e avisou as demais.

Em pouco tempo fizeram um carreiro e a professora deu uma lente de aumento ao menino que, surpreso, percebeu que as formigas carregavam apenas os grãos de açúcar, desprezando a areia.

Todos as pessoas são como esse montinho de areia misturado com açúcar, disse a sábia educadora. Sejamos sábios como as formigas.

Verdadeiro mestre é aquele que atende as necessidades de aprendizagem dos seus educandos de maneira abrangente.

É aquele que entende que seu compromisso não é apenas passar instruções de forma automática, mas ajudar seus aprendizes a lidar com os próprios sentimentos. E isso não é difícil, como pudemos perceber na história narrada.

Lamentavelmente, alguns professores se candidatam ao cargo sem a menor preparação para esse grande mister que é a educação.

Muitos que lecionam para a infância, não se dão conta da excelente oportunidade que têm nas mãos, que é a de construir um mundo melhor, a partir daqueles olhares atentos e mentes predispostas que lhes estão sob a responsabilidade, durante várias horas por dia.

Desejamos a construção de um mundo melhor. Mas é preciso que haja uma comunhão de esforços, e aqueles que dispõem de mais oportunidades para esse intento são os educadores, pois trabalham diretamente com as almas humanas.

Assim sendo, vale a pena meditar na grandeza que essa abençoada profissão representa no contexto geral de uma sociedade.

Vale a pena compreender que Deus espera que cada um desses missionários da educação semeie nas mentes e nos corações infantis as sementes de luz, que um dia iluminarão a terra inteira.

Incontestavelmente, o futuro repousa nas frágeis mãos da infância.

É preciso colocar-lhes nos corações as sementes de amor para que possam semear a paz e a harmonia.

CARÍCIAS POSITIVAS

Fazem-nos sentir bem...
Melhor do que comer manga apanhada na hora, da árvore.
Assim como o útero da mãe acaricia o bebê...
ou o sorriso da criança quando vê alguém se aproximando
com a mamadeira...
Mãe ninando filho no colo...
Pai trocando as fraldas do bebê...
O cachorrinho latindo quando vê o dono...
Pomba comendo milho na nossa mão...
Beija-flor tirando néctar das flores...

Olá, que bom que você veio,
Gostei desse seu desenho...
Essa flor é para você...
Vem cá para a gente conversar...
Vamos sair hoje à noite.

Abraço de irmão, do namorado,
de amante também.
Beijo no rosto, na boca ou no ar...
atirado com muito carinho.
Gente se olhando nos olhos,
com olhar cristalino, como água de pedra.

Alô, liguei para dizer que estou com saudades de você...
Amanhã eu te procuro.
Quero um tempo só para nós dois.
Eu te amo.

Gestos, palavras de vida.
Toneladas de vezes mais potentes que o álcool.
Muito mais gostoso que banho quente,
depois de uma chuva fria de inverno,
ou
um banho de mar espumante no calor do verão.
Sensação de que existe um coração pulsante dentro da gente.
Sensação de que a gente é um coração pulsante dentro do outro.

Sensação de gente vivendo com gente.
São as carícias.

Roberto Shinyashiki

Por que os amores se perdem?

O mais difícil de entender quando os amores acabam, são os porquês. Porque duas pessoas que se encontraram e se encantaram, viveram um amor que parecia indestrutível, se separam?

Por quê o amor geralmente acaba de um lado só e é o outro que fica chorando e querendo entender as razões? Costumo comparar casais a chave e fechadura. Nem toda chave abre todas as portas e é necessário encontrar aquela exata que vai se encaixar perfeitamente e tudo será possível.

Amores deveriam ser eternos, mas nem sempre são.

Mas a gente acredita que cada vez que alguém toca nosso coração e entra, que é definitivo. Um casal que se apaixona de início, sem que um tenha tido o tempo de desnudar o outro nas suas verdades, acredita nessa chama e até briga por ela muitas vezes.

E cria-se sonhos, planeja-se o futuro… Enquanto isso os dias vão passando, toma-se menos cuidado em manter a magia e a parte dos dois que é mais sonhadora começa a sentir-se incomodada. Dá medo. Medo de ter que olhar bem nos olhos da realidade e dizer: acabou!

Medo de ter que se confessar a si próprio que ainda não foi aquela vez! Medo da solidão, de ter que recomeçar… Não são as decepções que matam o amor. Se assim fosse, não existiriam perdões e reconciliações. O que mata o amor é simplesmente a tomada de consciência de que o outro não é o ser sonhado. É como acordar depois de um longo sono e lindos sonhos. O outro está ali, é a mesma pessoa, mas aquela neblina que dava a impressão de irrealidade já não mais existe. E isso não acontece da noite para o dia, como se costuma pensar.

É algo que vem com os dias, os hábitos, as monotonias. Um percebe, o outro não. Um começa a se sentir angustiado e o outro continua acreditando ou finge que acredita. E quando a gota que faz transbordar o vaso chega é o mundo todo que desmorona. Porém, tudo não fica definitivamente perdido. Sobra de um lado a dor, e os porquês, um resto de amor que teima em ficar no fundo como o vinho envelhecido na garrafa e do outro o coração dividido por não poder reparar erros cometidos e a vontade de continuar em busca de outros horizontes. Sobra para os dois a ternura e a lembrança dos momentos passados juntos.

Por que corta-se relacionamentos, mas não se apaga momentos, mesmo que a gente queira. Vivido é vivido, feliz ou infelizmente. Inútil é querer resgatar um amor que resolveu partir pra outras direções. Quanto mais apega-se, mais ele se afasta. E quanto mais se afasta, mais dói no outro a incompreensão. É uma roda da qual é difícil de sair. E é uma pena, pois os corações não merecem isso.

Quando a questão é amor, não existe justo ou injusto. Existe o que ama, e o que não ama mais. Precisamos aceitar que o outro não tenha os mesmos sentimentos, mesmo se isso nos faz mal, por que se o amor não for livre para se instalar onde realmente deseja, ele perde toda a razão de ser.

Riscos - Era uma vez....3

Riscos - Era uma vez....3








O Aprendiz Desapontado

Um menino que desejava ardentemente residir no Céu, numa bonita manhã, quando se encontrava no campo, em companhia de um burro, recebeu a visita de um anjo.
Reconheceu, depressa, o emissário de Cima, pelo sorriso bondoso e pela veste resplandecente.
Alucinado de júbilo, o rapazinho gritou:
- Mensageiro de Jesus, quero o paraíso! Que fazer para chegar até lá?!
O anjo respondeu com gentileza:
- O primeiro caminho para o Céu é a obediência e, o segundo é o trabalho.
O pequeno, que não parecia muito diligente, ficou pensativo.
O enviado de Deus então disse:
- Venho a este campo, a fim de auxiliar a Natureza que tanto nos dá.
Fixou o olhar mais docemente na criança e rogou:
- Queres ajudar-me a limpar o chão, carregando estas pedras para o fosso vizinho?
O menino respondeu: - Não posso.
Todavia, quando o emissário celeste se dirigiu ao burro, o animal prontificou-se a transportar os calhaus, pacientemente, deixando a terra livre e agradável.
Em seguida, o anjo passou a dar ordens de serviço em voz alta, mas o menino recusava-se a contribuir, enquanto o burro ia obedecendo.
No instante de mover o arado, o rapazinho desfez-se em palavras feias, fugindo à colaboração. O burro disciplinado, contudo, ajudou, quando pôde, em silêncio.
No momento de preparar a sementeira, verificou-se o mesmo quadro: o menino repousava e o burro trabalhava.
Em todas as medidas iniciais da lavoura, o pesado animal agia cuidadoso, colaborando eficientemente com o lavrador celeste; entretanto, o jovem, cheio de saúde e leveza, permaneceu amuado, a um canto, choramingando sem saber por que e acusando não se sabe a quem.
No fim do dia, o campo estava lindo.
Canteiros bem desenhados surgiam ao centro, ladeados por fios de água benfeitora.
As árvores, em derredor, pareciam orgulhosas em protegê-los. O vento deslizava tão manso que mais se assemelhava a um sopro divino cantando nas campânulas do matagal.
A Lua apareceu espalhando intensa claridade.
O anjo abraçou o obediente animal, agradecendo-lhe a contribuição. Vendo o menino que o mensageiro se punha de volta, gritou ansioso:
- Anjo querido, quero seguir contigo, quero ir para o Céu!...
O Emissário divino respondeu, porém:
- O paraíso não foi feito para gente preguiçosa. Se desejas encontrá-lo, aprende primeiramente a obedecer como o burro que soube receber a bênção da disciplina e o valor da educação.
E assim esclarecendo subiu para as estrelas, deixando o rapazinho desapontado, mas disposto a mudar de vida.

Fonte: Do Livro Alvorada Cristã – Ditado pelo Espírito Neio Lúcio – Psicografia de Chico Xavier. 11 edição – FEB. 1996.

Coisas que diziam por ai agora dizem...

Antes era:

Agora é:

creme rinse

condicionador

obrigado

valeu

é complicado

é foda

collant

body

rouge

blush

ancião e coroa

véi

bailinho e discoteca

balada

japona

jaqueta

nos bastidores

making off

cafona

brega

programa de entrevistas

talk-show

reclame

propaganda

calça cocota

calça cintura baixa

flertar, paquerar

dar mole

oi, olá, como vai?

e aê?

cópia, imitação

genérico

curtir, zoar

causar

mamãe, posso ir?

véiaaaa, fui!!!

legal, bacana

manero, irado

mulher de vida fácil

garota de programa

legal o negócio

xapado o bagúio

pasta de dente

creme dental

cansaço

estresse

desculpe

foi mal

oi, tudo bem?

e aê, belê?

ficou chateada

ficou bolada

médico de senhoras

ginéco

superlegal

irado

primário e ginásio

ensino fundamental

preste atenção

se liga na bagaça

por favor

quebra essa

recreio

intervalo

radinho de pilhas

ipod

manequim

modelo e atriz

retrato

foto

jardineira

macacão

mentira

kaô

saquei

tô ligado

entendeu?

copiou?

gafe

mico

fofoca

babado

ha ha ha

uhauhauhauha

fotocópia

xerox

brilho labial

gloss

bola ao cesto

basquete

folhinha

calendário

empregada doméstica

secretária do lar

faxineira

diarista

vou verificar

vou estar verificando

madureza

supletivo

vidro fumê

insulfilm

posso te ligar?

posso te add?

tingir uma roupa

costumizar

dar no pé

vazar

embrulho

pacote

lycra

stretch

tristeza

deprê

beque

zagueiro

rádio patrulha

viatura

atlético

sarado

peituda

siliconada

professor de ginástica

personal trainning

quadro negro

lousa

babosa

aloe vera

lepra

hanseníase

Ave Maria!!!

Afffff!!

caramba

caraca

namoro

pegação

laquê

spray

de montão

pracarai!

derrame

AVC

chapa dos pulmões

raio-x de tórax

sua bênção, papai

"qualé", coroa?

você tem certeza?

fala sério aê!

banha

gordura localizada

casa de fundos

edícula

bar no fim do expediente

happy hour

costureira

estilista

negro

afro-descendente

professora

tia, prof

aquele senhor

aquele tiozinho

bela bunda!

que popozão!

Amorrrrrrr!

Nenhhêêêêê!

desculpe, mas esta questão que você me submeteu é impossível de cumprir!

nem fu...!

olha o barulho!

ó o auê aí ô!